João Raul
Em 1972 enquanto estudava desenho e pintura, João Raul, recorre à fotografia como registo (maqueta), de estudo para os seus projectos.
Desperta nele a possibilidade de criar imagens de uma forma mais rápida que o desenho ou a pintura, passando assim a ter um lugar de vital importância nas suas pesquisas.
Mais tarde em 1976 e depois de uma passagem pelo desenho de animação, João Raul inicia a sua carreira profissional na fotografia, onde a imagem publicitária é marcante. Posteriormente e devido à sua personalidade inconformistae, a necessidade de maior liberdade criativa abre caminhos na fotografia de moda, tornando-se pioneiro numa época em que a própria moda era praticamente inexistente em Portugal e os modelos actuavam quase como “cabides vivos”. João Raul aproximou-se do real transportando a fotografia de moda para situações do dia a dia criando-lhe a atmosfera necessária, para depois manipular e registar com um cunho de ousadia e sensualidade, numa perspectiva de transformar o papel do modelo de simples participante, num actor neste imenso palco que é a moda.
As limitações naturais deste trabalho, impelem-no a construir as suas próprias imagens, quase como que saídas de um alter-ego. São sobretudo imagens de mulheres, rostos ou corpos nus, exibem-se manifestamente em sensualidade ora plástica ora quase cruel na sua pose que sublinham a sua presença perante o observador.
Assumidamente anti-convencional e controverso não recorrendo à imagem cansadamente estereotipada da menina bonitinha em pose delicadade falsa aparência e totalmente artificial, constrói as suas imagens exaltando os seus fetiches e assim despertando nos seus modelos a exclamação de desejos escondidos que expõem aos nossos olhos. É neste discurso abundante de sensualidade e erotismo, por vezes com uma confrontação entre o imaginário e a realidade e sobretudo pela utilização do preto e branco, que decora ainda com maior intensidade as suas fotografias e nos subjuga num exaltamento à arte.
A afirmação de Óscar Wilde “a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”. Porém no trabalho de João Raul não podemos discordar que com arte se regista a vida.