João Santos
"(...) Depois, com Muybridge, a fotografia descobre o movimento e o cinema e um pouco mais tarde com Walter Benjamin entende-se já não só como reprodução de vistas parcelares do mundo, mas como modelo maior desta sociedade das imagens e do espectáculo que é a nossa.
Hoje vivemos um processo algo semelhante. As novas tecnologias da informação já mudam radicalmente as nossas vidas, mas a percepção geral que predomina é a de um conjunto de gadgets, mais ou menos úteis, mais ou menos deslumbrantes. Em particular no domínio da cultura e da produção artística a sua influência é ainda incipiente, senão mesmo objecto de uma rejeição em nome de uma pretensa singularidade criativa do humano. Mas é uma questão de tempo. A maioria das pessoas pode não se ter dado conta, mas a revolução artística do futuro já começou e é imparável. A arte anda sempre mais depressa do que a sua notícia. É por isso que todas as experiências que assentem numa mudança de paradigma, em particular no uso que fazem das novas tecnologias, são bem-vindas. De que é exemplo a obra de João Santos, na sua manifesta vontade de superar a fotografia convencional e de abrir caminho a novas maneiras de visualizar o mundo."
Leonel Moura
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